Olá leitor,
Na Espanha, como em outros países da Europa, o teatro se formou nas igrejas. Os primeiros espetáculos eram cerimônias e textos litúrgicos, sendo os cônegos, diáconos e subdiáconos os atores. A introdução cada vez maior de elementos profanos nas representações religiosas (frases e atos satíricos), teve como resultado a proibição de qualquer representação teatral dentro das igrejas. Passou, então, do interior para o exterior dos templos e depois para os palácios dos reis e para os mosteiros. Já a influência italiana na formação teatral da Espanha foi muito grande, assim como foi na França e na Inglaterra.
Este primitivo teatro, à medida que se popularizou como já havia deixado o interior das igrejas foi deixando também os palácios e os mosteiros, para se localizar nas praças públicas e finalmente nos pátios das casas. Aos poucos foram sendo construídos locais fechados lateralmente, denominados “corrales”. Os “corrales”, no início, não tinham teto, e as janelas das casas vizinhas, quando altas, eram aproveitadas como “torrinhas”, e quando baixas, como “aposentos”. O que é hoje para nós os camarotes. O pátio, hoje, a nossa plateia, era o lugar mais barato e ali o povo assistia ao espetáculo, de pé. Só os homens podiam entrar no pátio. As mulheres ocupavam uma galeria alta, “La cazuela”, no fundo do teatro, em frente do palco.
O cenário no teatro espanhol, como nos demais países europeus era também o mais simples possível, e as mudanças de cenas eram anunciadas pelos próprios atores. Na Espanha, desde o século XVI, era permitido às mulheres trabalharem como atrizes, coisa que na Inglaterra só ocorreu no século XVII, e na Alemanha a partir do século XVIII.
Os espetáculos teatrais se davam aos domingos e duas a três vezes por semana. Começavam às duas horas da tarde, no inverno, e às 3 horas no verão. Primeiro, havia uma espécie de prólogo, em verso, onde eram explicadas as cenas que iriam ser apresentadas e onde se faziam alusões aos acontecimentos do momento. Seguia-se a “comédia”, propriamente dita, que constava de três atos ou jornadas. Nos intervalos, representavam-se alguns “entremeses”, que eram pecinhas curtas e engraçadas, ao mesmo tempo em que se cantavam e dançavam músicas da época. Muitas vezes os atores eram os próprios autores. Como podemos mencionar o caso de Juan de Enzina, Gil Vicente, Lope de Rueda, Pedro Navarro e outros.
A chamada “idade de ouro” do teatro espanhol começou verdadeiramente com Lope Félix de Vega Cárpio, ou Félix Lope de Vega Cárpio ou só Lope de Vega.
Lope foi o fundador da comédia espanhola. Mas a Espanha teve outros autores famosos, como Tirso de Molina, Don Juan Ruyz de Alarcon, Don Guillen de Castro e Don Pedro Calderón de La Barca.
“No século XVI, os integrantes da fraternidade” Confradía de La Pasión y de La Soledade, compraram uma casa de Isabel Pacheco, com a intenção de usá-la para espetáculos teatrais. A mesma foi aberta em 21 de setembro de 1583, e se chamava “Corral de La Pacheca”, em homenagem a antiga proprietária, que mais tarde ficou conhecida como” Corral de Comedias Del Príncipe”, por estar situada na Calle (rua) Príncipe, 25, Madrid-España.
O teatro foi comprado pela Câmara de Madrid, em 1683 e, em 1745, foi remodelado pelo arquiteto Juan Sacchetti, e tornou-se uma sala moderna e coberta, que funcionou até 1802, quando foi totalmente destruída por um incêndio.
Cinco anos mais tarde, iniciou a construção de um novo edifício, a mando de Juan de Villanueva e no dia 3 de março de 1849, após novos melhoramentos decididos pelo conde de San Luis, recebeu finalmente o nome de Teatro Español. Em 1929/1930, o edifício foi sujeito a uma reforma que lhe deu o aspecto atual, embora um novo incêndio em 9 de outubro de 1975, tenha destruído o palco e parte da sala, voltando a ser reconstruído em 1979/1980, por Lucio Oñoro, sem alterações da construção anterior que permanece do mesmo modo até os dias de hoje. Em anexo a esta coluna você leitor poderá ver o Teatro Español. Eu tive o privilégio de conhecê-lo em janeiro deste ano de 2011.
Com a morte de Calderón , começou a decadência do teatro espanhol. Como consequência da decadência política e militar do país. Enfraqueceu-se a inspiração nacional e as obras surgidas são apenas imitações de peças de Lope, Tirso e Calderón. E para contribuir mais ainda com a decadência do teatro na Espanha, surgiu a perseguição dos moralistas contra os abusos que se cometiam nas representações o que ocasionaram o fechamento devagar dos teatros importantes de toda a Espanha, com a destruição dos edifícios e a proibição de qualquer tentativa de reconstruí-los. O público começou a abandonar os espetáculos, as companhias diminuíram, cessando, todo e qualquer estímulo ao autor teatral espanhol. A Guerra da Sucessão transformou-se em guerra civil e teve uma duração de treze anos, acabando de arruinar de vez a Espanha.
A Formação do Teatro
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